A artrite psoriásica é uma doença que costuma gerar muitas dúvidas e frustrações. Quem convive com dor, rigidez e cansaço, muitas vezes se pergunta: “Será que algum dia vou ficar livre disso?”
Embora ainda não exista uma cura definitiva, a boa notícia é que hoje é possível controlar adequadamente os sintomas da doença e alcançar remissão clínica, ou seja, períodos longos sem sintomas significativos.
Mas o que realmente significa “controlar” a artrite psoriásica?
Controlar a doença não é apenas reduzir a dor. Um bom tratamento busca interromper o processo inflamatório, evitar a progressão das lesões articulares e manter o paciente ativo, tanto fisicamente quanto emocionalmente.
Portanto, o tratamento da Artrite Psoriásica deve envolver tanto o uso de medicamentos como o manejo multidisciplinar.
Tratamentos modernos: o que há de mais eficaz?
O tratamento deve sempre ser individualizado, mas, de forma geral, envolve:
Tratamento medicamentoso: Atualmente, dispomos de diversas medicações, orais ou injetáveis, que podem ser usadas para tratamento da Artrite Psoriásica, são elas:
- Drogas antirreumáticas modificadoras da doença convencionais: medicações orais como Metotrexato, Sulfassalazina e Leflunomida usadas nos quadros em que as manifestações articulares são as principais.
- Medicações biológicas: que atuam bloqueando a ação de proteínas inflamatórias (as citocinas) envolvidas na resposta imune, como:
- Anti-TNFs: inibem a citocina TNF. Ex.: Adalimumabe; Infliximabe; Etanercepte; Certolizumabe e Golimumabe.
- Anti-IL17: bloqueiam a ação da citocina interleucina IL 17. Ex.: Secuquinumabe e Ixekizumab.
- Anti-IL23: inibem a interleucina IL 2. Ex.: Guselcumabe e Risanquizumabe.
- Anti-IL12/23: inibem as interleucinas 12 e 23. Ex.: Ustequinumabe.
- Medicações inibidores da JAK: bloqueiam a enzima janus quinase que desempenha um papel crucial na sinalização celular, especialmente na resposta inflamatória. Ex.: Tofacitinibe e Upadacitinibe.
Tratamento não-medicamentoso: Aliar o tratamento medicamentoso e o não medicamentoso através de uma abordagem multidisciplinar é fundamental para controlar a doença.
- Atividade física regular: ajuda a reduzir a dor, a fadiga, a rigidez e a melhorar a mobilidade articular, a flexibilidade e a força muscular. É importante que eles sejam adaptados para a condição do paciente de acordo com suas necessidades e limitações e, de preferência, sejam supervisionados e combinem exercícios aeróbicos, treino de força e flexibilidade.
- Alimentação balanceada: aumentar o consumo de alimentos in natura e reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados (ricos em gorduras, açúcares e conservantes) ajudará a reduzir o risco de outras doenças como hipertensão, diabetes e obesidade, tão comuns em quem tem Artrite Psoriásica. Além disso, promove a saúde intestinal, importante para manter o sistema imunológico mais equilibrado.
- Controle do estresse e cuidado com a saúde mental: estresse e alterações emocionais/ psicológicas podem impactar diretamente a evolução da doença.
O papel da avaliação individualizada
Cada pessoa tem um padrão de doença diferente – há quem apresente mais sintomas articulares e poucas lesões de pele, enquanto outros têm lesões de pele extensas e/ ou mais inflamação na coluna ou nas enteses (locais onde os tendões se inserem nos ossos).
Por isso, o tratamento deve ser sempre individualizado, pois cada paciente é único e manifesta um padrão de Artrite Psoriásica diferente.
O primeiro passo é avaliar com cuidado o estágio da doença, o histórico de tratamentos e os fatores que influenciam a resposta (como outras doenças, uso de medicamentos e rotina).
Essa análise detalhada permite definir uma estratégia de tratamento realmente eficaz, que vai além da prescrição e considera o paciente de forma integral.
Conclusão – é possível viver bem com artrite psoriásica!
Embora a cura definitiva ainda não exista, há caminhos seguros e eficazes para conquistar o controle total da doença. Com as opções atuais de tratamento e uma abordagem multidisciplinar, é possível viver sem dor, preservar as articulações e ter qualidade de vida.
O primeiro passo é entender seu caso com profundidade. Se você sente que os sintomas continuam atrapalhando sua rotina, procure uma avaliação especializada para traçar o melhor plano de cuidado.
Dra. Fabiana Mendonça – Médica Reumatologista
CRM 146.811/ RQE 53.839


